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quinta-feira, agosto 28, 2003

Parabéns ao Amicus Ficaria pela sua recém entrada na Blogosfera.
Que contribua para baralhar ainda mais os espíritos dos mais incrédulos!

sexta-feira, agosto 01, 2003

A perda de qualidade dos blogs

Não devo ser o primeiro a dizer isto, mas noto de algum tempo para cá que o universo dos blogs começa a perder a perder o seu "élan", ou seja, a sua capacidade inovadora de ser uma voz crítica da sociedade, neste relativamente novo meio de comunicação.
Uns conseguiram-no através de debate sério, factualmente estimulantes no que toca à esgrima de argumentos, com a sua diversidade ideológica e de valores, outros conseguiram-no através da maravilhosa fantasia de rábulas literárias, poéticas, narrativas e afins, outros através do humor sarcástico, mas sempre lúcido e eficaz.
Neste momento o que observo é o que um amigo meu brilhantemente apelidou de "regresso ao jardim-escola".
Muitos daqueles que deram um grande impulso à blogosfera estão neste preciso momento a picar-se uns aos outros em diálogos bacocos, num estilo do tipo "eu escrevo melhor que tu" ou "o meu blog é melhor que o teu" ou ainda "és o maior burro que eu já conheci". E acho que estou a ser bastante levezinho...
Por algum motivo (e não me venham dizer que é por culpa das férias) é que toda a gente nota o iniciar de um geral desinteresse pela blogosfera. O boom acabou, e os únicos que continuam a ter um público fiel são os "pipis" e companhia.
Honra feita a José Pacheco Pereira que continua um trilho impecável com o seu Abrupto e os Estudos sobre o Comunismo (apesar de não ser um admirador da sua pessoa).
Até os fantásticos rapazes do Gato Fedorento começam a diminuir a sua cadência de posts.
Bem... pode ser que isto um dia volte ao sítio.
Cá estaremos para assistir.

quinta-feira, julho 31, 2003

Financiamento dos partidos políticos

Um tema interessante é de facto o financiamento dos partidos, tema este lançado pelo Valete Frates.
Não concordo que o financiamento seja exclusivamente feito por entidades privadas, como indica o autor do texto que o Valete transcreve, por várias razões.
Como podemos observar nos EUA, o objectivo principal de todos os "candidatos" a candidatos a qualquer cargo político é o de angariar o maior valor monetário de fundos para a sua campanha, já que esse é praticamente o critério único para ser escolhido pelo seu partido para se candidatar ao dito cargo.
Segundo a cultura política norte-americana (perdoem-me a descrição simplista que eu possa cometer) o candidato que mais fundos conseguiu angariarar ou é o mais (re)conhecido pelo seu trabalho político ou profissional, ou o que tem mais influência e poder, ou simplesmente é o mais rico e consegue facilmente os fundos para a sua campanha.
Até aqui nada de especial. Vamos então imaginar: o candidato é o escolhido pelo seu partido, candidata-se ao cargo e eventualmente acaba por ganhar. Magnífico, imagem brilhante, sorridente para as câmaras, decidido, conseguiu de facto cativar os eleitores com a sua oratória e limpidez de discurso nos debates televisivos. A sua campanha foi magnífica, conseguiu-se transmitir todos os seus aspectos positivos, encobrir os negativos e ainda encobrir totalmente o adversário. Muitos milhares e milhões de dólares se evaporaram durante todos os meses de campanha, mas também foi por isso que este candidato andou meses e meses a comprometer-se com as mais variadas empresas, associações e fundações privadas, etc etc, para reunir o "money money".
E agora...
Pois, vão ter que cobrar os favores que tal valoroso homem lhes prometeu por terem assinado o chequezinho... para o bem e para o mal dos eleitores que nele votaram ou não.
Isto é só um dos aspectos do problema. As consequências são piores.
Corrupção, descredibilização do poder político, utilização de fundos públicos sabe-se lá por alma de quem, enfim, é um ciclo vicioso sem fim, até às próximas eleições. E não me digam que os políticos são todos homens incólumes, íntegros e sem quaisquer pretensões menos próprios de um titular público. Porque aí é que está. Mesmo que a maioria o seja, há uma grande percentagem que não o é, e assim está tudo estragado.
Não é que o financiamento público aos partidos possa resolver tudo, mas basta ter um pouco de senso-comum para vermos que a fiscalização é muito maior quando se mete dinheiros do Estado.
Acho que fico por aqui, para "posta de pescada" pós-exames deve chegar.


quarta-feira, julho 09, 2003

Tenho de pedir desculpa a todos os "blogonautas" por não estar a actualizar convenientemente o "Vamos Blogar!", mas esta situação deve-se ao facto de me encontrar em época de exames, e nem sempre o discernimento é o melhor para um debate série e coerente, que é o que se pretende neste espaço.
Já falta pouco, e voltarei o mais rápido possível a emitir as minhas opiniões.
Obrigado pela compreensão.

segunda-feira, junho 30, 2003

Comentário ao post de Nuno Cardoso da Silva (Reflexões teóricas) no Anti-Europa

Devo dizer ao Nuno que não concordo com algumas das posições que expressou no seu blog.
Portugal é um país com vários problemas estruturais é certo, baixa qualificação da população, etc, etc. Mas esta não é uma condição crónica, nem o nosso "fado".
Pertencermos à UE dá-nos a oportunidade de ter livre acesso aos vários mercados dos restantes países membros, que de outro modo não teríamos.
O facto de neste momento estarmos numa fase económica de recessão, faz então com que tenhamos de nos esforçar o dobro ou o triplo para atingirmos os mais altos padrões de desenvolvimento.
Portugal tem precisamente de investir é na diferença, na novidade, na inovação, dos seus produtos, das suas infraestruturas, das suas qualificações.
Para triunfarmos num mercado único, temos de tentar ganhar nichos onde possamos criar a diferença, sermos fortes.
Sermos fortes pelo facto de que o que oferecermos é diferente para melhor, ou seja, é mais competitivo relativamente a outros países. Seja pelo nosso design, pela forma, pelo conteúdo do nosso produto, pelas boas vias de comunicação, pela qualificação elevada, pela nossa localização.
O facto de sermos um país periférico não é um desvantagem, é uma grande vantagem no nosso caso. Temos uma fronteira marítima que é das maiores da Europa, mais a área das nossas ilhas. Somos o país europeu mais próximo dos Estados Unidos, temos ligações históricas com o Brasil e os países africanos lusófonos. É uma grande vantagem. Mas tem de ser aproveitada.
E na minha opinião, não é um grande orçamento comunitário, que possibilitaria a entrada de mais fundos, que vai resolver os nossos problemas. Porventura, até os piora, como é o caso da subsidiodependência na agricultura.
Portugal tem de tentar trilhar o seu caminho com alguma independência. Ficar à espera de uma árvore das patacas não resolve nada. Tem de se começar a pôr mãos à obra e tirar o país deste pessimismo generalizado.

Tenho de fazer aqui um comentário a um debate lançado no Blog de Esquerda sobre a Política Agrícola Comum

Algumas das questões colocadas no dito post são obviamente válidas e muitíssimo correctas. Mas no meio de muita coisa certa, de repente vejo comentários que afinal vão ao encontro do que não se queria, i.e., "como se escrevesse para a lux ou a caras".
A PAC não se pode discutir do pressuposto de querermos ser um País auto-suficiente ou não (não existe), ou de estarmos à espera que os países pobres nos forneçam alimentos baratos, para não termos custos de investimento cá.
Estando na UE, temos de começar a pensar em termos europeus e comunitários e não olhar só para o nosso umbigo. Apesar de ser um sistema imperfeito (ex: a França tenta aproveitar-se de todos os fundos e subsídios, principalmente na PAC, favorecendo os agricultores franceses), não podemos ser extremistas quando se têm de tomar decisões a este nível.
É consensual para todos que a agricultura é uma actividade económica importantíssima para o nosso país, não só no que toca a criar riqueza, mas também a fixar as populações no interior e nas áreas rurais.
Mas também é certo que há uma grande percentagem de agricultores que na realidade não produz, num misto de estratagemas para arranjar mais subsídios.
Não vamos fazer dos agricultores portugueses os bonzinhos do filme.
A agricultura portuguesa necessita de inovar os seus métodos, inovar as suas culturas, tentando conquistar nichos de mercado a nível europeu e mesmo mundial. Os agricultores necessitam de investir para produzirem produtos diferentes, e sendo diferentes já é meio caminho andado para serem competitivos. É assim que se torna uma actividade atractiva.
O guião é o mesmo na agricultura, na indústria onde quer que seja. Não estejamos sempre à espera do subsídiozinho da PAC para podermos desenvolver a nossa agricultura, porque se vamos a verificar todo o dinheiro que veio para a agricultura portuguesa e que obteve rendimento, até coramos de vergonha...
Isto não quer dizer que não haja bons exemplos, mas sinceramente também há muito maus.
Já agora, fazendo apenas um comentário à quota de leite dos Açores.
Todos os governos se batem pelas cotas de leite nos Açores e pelas cotas de cereais no alentejo, etc, etc.
Deviam era preocupar-se mais em incentivar os agricultores nessas regiões a investir noutras actividades agrícolas, em que pudéssemos ter vantagens comparativas em relação a outros países, e deixaríamos de choramingar por essas cotas e passaríamos a rir.

Quase que me esquecia também de responder ao comentário do Francisco (infelizmente neste momento é so um dialogo a dois...parece...) em relação à parada gay.

Queria só dizer que, se as minorias homosexuais consideram neste momento que as paradas gays são o momento alto do seu movimento, não vejo qual o problema dos partidos políticos que se preocupam com a plena integração destas minorias na sociedade, estejam lá representadas. E já agora Francisco...qual é o problema de um partido ir a uma sardinhada de uma colectividade...?!

domingo, junho 29, 2003

Em resposta ao meu amigo Francisco, que comentou o meu ultimo post (ver em baixo)

Acho que não fui explicito o suficiente no meu último post. Obviamente que o problema está em o Estado se querer desresponsabilizar da educação dos portugueses, por isso mesmo é se abriu espaço aos privados. Não se autorizaria a abertura das instituições privadas se as públicas oferecessem um serviço educativo ideal.
Defendo precisamente que o ensino público esteja disponível para todos, com padrões de qualidade considerados excelentes, e é por essa causa que os governos se devem bater.
E o que digo é que a abertura das instituições privadas não veio trazer nada de novo à educação do país. Simplesmente trouxeram o facto de muitos estudantes, não conseguindo entrar numa instituição pública terem de pagar para ir para uma privada, que não lhes oferecesse as condições que o dinheiro deveria obter (isto no caso do ensino superior), e no ensino não superior, termos escolas públicas com pouquíssimos alunos, porque estes são transferidos para as escolas privadas, por estas serem subsidiadas.


Ensino Privado vs Ensino Público

Este é um tema que me toca realmente, e portanto vou gastar algum do meu tempo a argumentar as minhas convicções neste post.
Após o 25 de Abril houve a necessidade de democratizar o nosso ensino, i.e., abrir a educação a toda a população, massificá-la, e ao mesmo tempo, modernizá-la, dotá-la de novos meios, novos métodos, novos conteúdos, novas infra-estruturas.
Revelou-se pois uma tarefa gigante e ainda, até hoje, inacabada.
No entretanto, as várias correntes neoliberais que percorreram a década de 80 até ao presente condicionaram, de sobremaneira, as políticas educativas implementadas no nosso País.
Ao abrir-se as portas da educação ao "mercado", proporcionou-se a abertura de um número bastante elevado de instituições privadas, tanto no Ensino Superior, como no não Superior.
As vantagens desta política é exactamente de reduzir o peso do Estado no sistema educativo (leia-se "reduzir custos"...), permitindo uma melhor gestão, aumento da produtividade dos recursos escolares, melhorar a qualidade de ensino, e argumento dos argumentos, diversificar a escolha para os pais e alunos, deixando de haver restrições para a escolha dos mesmos, abrindo oportunidades para toda a população.
Para isso mesmo recorreu-se a regimes de subsidíos estatais aos privados no sentido de implementar o melhor possível estas Instituições no sistema escolar.
Nada tenho contra isto. Julgo que é realmente importante diversificar a oferta na educação, permitindo que a população beneficie com tudo o que uma Instituição privada pode trazer de positivo à qualidade do ensino. Julgo que nenhum domínio, como a área da educação deve ser um monopólio do Estado, este deve igualmente incitar a uma regulada concorrência no sentido de melhorar a oferta da qualidade do ensino.
O problema é outro.
Para além de considerar que o Estado, independentemente de promover a entrada de privados no ensino, deve proporcionar a toda a população todas as condições para um ensino que deve ser de qualidade, ou seja, o ensino ministrado pelo Estado já deve obedecer a padrões de gestão, meios, infraestruturas, etc, da melhor qualidade possível, acho inadmíssivel que as Instituições privadas (ainda por cima subsidiadas) não acrescentem nada de novo ao que já existe no sistema escolar público.
Devido a uma clara omissão do Estado, os estudantes/alunos das instituições privadas têm de pagar custos elevados para terem as mesmas ou piores condições que os seus colegas no Público.
Infelizmente, de momento, vou ter que ficar por aqui, fico entretanto à espera dos comentários dos caros visitantes ou no meu mail (indicado na coluna à esquerda) ou no espaço para comentários abaixo deste post.


A parada gay

Após ver as notícia sobre a parada gay que ocorreu em Lisboa, penso logo em 3 coisas:
Primeiro, fico agradado por uma minoria que foi durante tanto tempo ostracizada numa cultura como a nossa (eu próprio infelizmente continuo a fazer comentários menos próprios sobre os homosexuais), comece a se empenhar em se integrar na sociedade sem qualquer tipo de preconceito ou medo de se mostrar.
Segundo, apesar de tudo, não considero que as chamadas "paradas" das minorias possam efectivamente contribuir para a diminuição do sentimento generalizado em relação aos homosexuais, porventura até piora, porque as pessoas ao verem as imagens destas paradas veêm tudo menos o comportamento normal, do quotidiano destas pessoas. E isso é que seria importante. Mostrar que estas pessoas não são diferentes, mas sim pessoas como qualquer outras, com o seu emprego, família, etc.
Terceiro, é uma pena ver, já que estas paradas acontecem e são consideradas um acontecimento importantíssimo para estas minorias, que o único partido político que lá se fez representar foi o Bloco de Esquerda. Julgo que pelo menos os restantes partidos de esquerda deveriam ter feito um esforço para estarem presentes. Mas os preconceitos continuam a imperar, com a sociedade no geral, com os partidos, comigo, e se calhar consigo que me está a ler.
Talvez um dia deixe de ser assim.
Peço desculpa ao meu amigo Francisco de Soure se não me fiz entender, no que respeita ao método de como resolver os abusos que ocorrem durante a Praxe Académica.
Recuso em absoluto que a minha posição nessa matéria seja designada de "deixa andar..." (contra-resposta do Francisco).
O que eu afirmei, é que não é necessário formular estatutariamente normas para regulação das praxes/recepções. Seria um absurdo quando falamos desta questão a nível nacional. Nas Instituições mais antigas há tradições de duram quase à séculos, e nessas mesmas instituições e nas mais recentes já existem Comissões Organizadoras, Comissões de Praxe, Conselhos de Veteranos, etc, etc, e não é por isso que os problemas deixaram ou deixam de acontecer. Porventura até pioram!
Julgo que estas situações é tão e somente uma questão de cultura e educação (mais uma vez) académica. Basta as Associações de Estudantes ou as ditas Comissões dizerem aos colegas que vão praxar: "meus senhores, qualquer exagero não é permitido nesta Instituição". E mesmo assim acho que já é exagerar. As AEs não são encarregados de educação de ninguém, e porque numa praxe pode participar qualquer estudante, a responsabilidade por qualquer incidente é individual.
Não vamos complicar as coisas, basta bom-senso.
Um abraço, e espero ter esclarecido a minha posição. Haverá certamente outras coisas também interessantes para falar.

sábado, junho 28, 2003

Em relação aos Blogs...

Eu que acabei de entrar neste novo meio de comunicação, só tenho que me embevecer com os blogs espectaculares que várias pessoas têm construído.
Infelizmente ainda não domino convenientemente o HTML, para o "Vamos Blogar!" se tornar numa referência gráfica deste meio. E diga-se, também não é essa a minha intenção. A livre discussão e exposição de ideias acima de tudo, pois isso é que o mundo dos blogs tem de fantástico.
Perdoem-me os já veteranos quando lerem estas lamechices, mas não poderia deixar de referir este pensamento.
Tenho de fazer aqui uma referência ao blog do meu querido amigo Francisco Soure - Politica, Educacao e Associativismo - com quem espero travar grandes discussões e debates nestes espaços.
O Francisco escreveu um post muito interessante sobre um tal "Congresso", que se realizou hoje em Évora, acerca das praxes académicas e que deu honras de telejornais ao Reitor da U. de Évora e ao Presidente da A.E. da mesma Universidade.
Ao Francisco devo dizer que concordo plenamente com a tua opinião em relação aos abusos cometidos em várias praxes, e também me sinto envergonhado quando tenho tenho conhecimento dessas situações, pois tal como tu, também eu defendo (portanto defendemos! ;) as praxes académicas como um meio imprescindí­vel de integração dos novos alunos no meio académico. O melhor exemplo é a Recepção ao Caloiro que organizámos este ano, conjuntamente com os colegas do nosso 2º ano da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, em que a reacção dos nossos colegas caloiros não podia ter sido mais positiva e correspondente com as expectativas que ansiávamos.
Os caloiros necessitam de sentir que têm colegas mais velhos disponíveis para os ajudar na fase de transição, necessitam de alguém que lhes apresente os colegas mais velhos, a sua faculdade, os professores, os funcionários, etc. Simplesmente mostrar-lhes que não estão sozinhos no novo grande mundo em que entraram, e não há nada como a Recepção aos Caloiros ou Praxe Académica (para os mais conservadores) para efectivar esse objectivo.
Julgo que não fui demasiado retórico, pois é exactamente esta a realidade, basta lá estar e observar as expressões de contentamento dos colegas caloiros quando estão a conviver com os mais velhos. Obviamente sem qualquer tipo de abuso, humilhação, privação de qualquer direito básico. Nunca, jamais!
Em relação à  tua ideia, Francisco, de as Associações se reunirem para formar uma comissão reguladora de praxes. Não concordo.
Para já nesse tal "congresso" deu para observar que apenas estavam representantes de Instituições mais recentes e portanto sem tradição académica, na verdadeira aplicação do termo. É mais ou menos consensual que os principais problemas durante as praxes noticiados nos últimos anos, têm acontecido nestas Instituições e onde a falta de uma "cultura académica" leva a que os abusos se multipliquem fora de controlo.
Pois é disso que se trata. Uma cultura académica, uma responsabilização de cada estudante mais velho para receber os caloiros.
Não será necessário se criar comissões. É preciso é em que em cada Faculdade, em cada Instituto Politécnico, em cada Universidade, se pense nas Praxes/Recepções como um evento para os colegas caloiros se integrarem e não para os veteranos abusarem.
A partir daí qualquer situação mais suspeita será apenas a excepção da regra.
Um abraço para ti Francisco.

O Aeroporto da Ota e o TGV (adaptado do meu artigo escrito para o Jornal "O Figueirense" em 20 de Junho de 2003)

As últimas declarações do Ministro Carmona Rodrigues sobre o adiamento da construção do Aeroporto da Ota, que aliás poderá ser apenas um anexo do Aeroporto da Portela, incendiaram um pouco por toda a Região Oeste os ânimos de Presidentes da Câmara, empresários e afins.
Henrique Neto em artigo no “Expresso”, critica duramente esta decisão dizendo que, entre outras coisas, o que está na base desta decisão é o facto de “desistirmos de ser uma nação independente e livre [...] no contexto da Europa e [...] Península Ibérica”.
Este empresário português por acaso não esteve presente no último Jantar-Conferência da Associação Figueira Viva que teve como conferencista o ex-presidente da C.C.R. Centro (apesar de ter sido conferencista num 1º jantar) e em que a questão do Aeroporto da Ota foi, infelizmente, apenas levemente aflorada.
Para melhor explicitar uma posição que expressei nesse Jantar (que não tive oportunidade de esclarecer então) e dada as últimas reacções de vários quadrantes da nossa Região em relação a esta questão, para contrariar a opinião geral já estabelecida vou aqui expor os argumentos que me levam a ser contra o Aeroporto da Ota.
Começando por aspectos de ordem técnica, a Ota não permite um requisito básico que é o da futura expansão do aeroporto, o prazo de funcionamento seria de apenas 10 anos, pois não havendo espaço para se expandir, devido à natureza do terreno, após este prazo atingiria a saturação; a construção naquela área obriga a uma movimentação de rochas de cerca de 50 milhões de metros cúbicos, 10 vezes mais que em qualquer outro local possível (com os custos respectivos); em termos ambientais para os críticos da Portela há que ripostar dizendo que para aterrar na Ota os aviões têm que sobrevoar na mesma a Península de Setúbal e a cidade de Lisboa (portanto com o mesmo ruído e risco de acidente).
Em termos estratégicos dizer que necessitamos de um novo aeroporto para competir com o de Barajas em Madrid e tornarmo-nos um pólo estratégico do tráfego Europeu e Internacional está completamente incorrecto. Neste momento 80% dos passageiros da Portela têm como destino a cidade de Lisboa (representando 30% do total das receitas de hotelaria do País).
O nosso objectivo não deve ser o de competir com Madrid para ver quem consegue mais aviões ou quem consegue ser o maior intermediário para transferência de voos para outros aeroportos. Estamos claramente em desvantagem. Nem em termos geográficos isso faz sentido. Devemos sim apostar em servir o melhor possível os nossos centros de decisão política, económica e cultural no que toca a seu acesso, sem deixarmos por isso de ter um papel importante no tráfego Euro-Internacional.
Um dado que também tem de ser levado em conta é que o prazo para a saturação do Aeroporto da Portela está calculado em cerca de 25 anos podendo receber até 30 milhões de passageiros anualmente, e neste momento recebe apenas cerca de 9 milhões...
Mas há outro “pormenor” importantíssimo, um novo Aeroporto da Ota interfere negativamente noutro projecto fulcral – o TGV.
Enquanto que o tráfego aéreo em Portugal é basicamente de passageiros e não se prevê que isso se altere, o transporte ferroviário tem um imenso potencial no que toca a transporte de mercadorias.
O modelo de traçado do TGV apresentado por este Governo, em T, entre Lisboa e Porto com transbordo no Entroncamento, sendo que a ligação com Madrid faz-se por Cáceres, é o pior traçado que o Governo podia escolher em termos de: custos (tanto de construção, como de manutenção, e mais tarde de tarifas pagas pelos passageiros), de tempo de viagem, especialmente de Porto/Aveiro/Coimbra a Madrid, não servindo convenientemente todas as Regiões, sendo que no traçado que a seguir descreverei, o tempo de Lisboa-Madrid tem apenas uma diferença de 5 minutos para o traçado escolhido por este Governo. Além de que o transporte de mercadorias iria continuar a ser feito pelas linhas convencionais, o que significaria um grande atraso estrutural.
O modelo mais funcional e correcto seria um traçado em p (Pi), com uma ligação a Sul em Alta Velocidade (máx.350 km/h) de Lisboa-Évora-Badajoz-Madrid e outra em Velocidade Elevada (máx. 250 km/h) Corunha-Braga-Porto-Aveiro-Viseu-Salamanca. Além obviamente da ligação Porto-Lisboa mas esta em Velocidade Elevada. Vários estudos demonstram ser o modelo que teria menos custos, seria o mais rentável, servia todas as regiões, competia com o transporte rodoviário e aéreo, e faria de Portugal um País altamente competitivo em termos de transporte de mercadorias e passageiros.
Mas a construção do Aeroporto da Ota inviabiliza este modelo, além de tentar convencer Espanha a concordar com os nossos infundados caprichos, pois o nosso vizinho já iniciou (e concluiu!) obra baseado em diversos e credíveis estudos técnicos, antagónicos do projecto do nosso Governo.
Um País no decurso do seu processo de desenvolvimento necessita de uma rede de vias de transporte que lhe acrescente algo mais em termos de competitividade em relação aos outros países. Necessita portanto de coordenar e integrar devidamente todos os sistemas de transporte, para que possam em conjunto contribuir de modo efectivo para um avanço e crescimento do País, e não actuar isoladamente em cada sistema para não dar em nada. Julgo que isto é que é planear uma estratégia global com futuro.
Ora, o Aeroporto da Ota não se encaixa em nenhum destes critérios.
Seja pela continuação da Portela e dos restantes aeroportos, seja pela construção de um novo aeroporto, a solução nunca poderá passar pela Ota, pois tal não irá trazer qualquer vantagem para o País. E isso é o mais importante.


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